sexta-feira, 15 de junho de 2018

porte ilegal

ando sempre armado
com a minha caneta
e quando carregada
ela pode disparar
vinte palavras
por minuto

nunca tive aulas de tiro
aprendi escrevendo sozinho
nas paredes do meu quarto
entre noites solitárias
palavras de angústia
e pedidos de socorro

27.05.2018

Por: Antonio Lima Júnior

quinta-feira, 7 de junho de 2018

homem-atlas

tocando em frente
sigo segurando o mundo
com minhas mãos
achando que estou seguro

sozinho nesta missão
sinto as mãos fraquejarem
os pés trêmulos
e suor que desce pelo corpo
na angústia de que o mundo caia antes
que a primeira gota no chão

05.06.2018

Por: Antonio Lima Júnior

sábado, 2 de junho de 2018

cova rasa

Solitário,
o ser humano sabe
que até para morrer
ele precisa
de alguém
para enterrá-lo

07.12.2014

Por: Antonio Lima Júnior

segunda-feira, 21 de maio de 2018

poema frustrado

eu sou um poeta frustrado
daqueles que atravessam a rua
olhando apenas pra um lado
sem saber que naquele instante
será infelizmente atropelado
deixando da vida para o mundo
apenas um poema mal acabado

21.05.2018

Por: Antonio Lima Júnior

sexta-feira, 11 de maio de 2018

coração britânia

meu coração
tem a potência
de um espremedor britânia
espremendo laranjas
e amores alheios

constantemente dá defeito
e sempre que me vejo
na oficina do seu zé
consertando seus componentes
penso em comprar um novo
que machuque menos
as metades das laranjas
que eu encontro na feira da fruta

23.04.2018

Por: Antonio Lima Júnior

domingo, 6 de maio de 2018

dominical

tem dias que você acorda mal
e nada parece dar certo
seu time perdeu
sua paixão não fala mais com você
e ainda há contas para pagar

é nessas horas
que gente acende um cigarro
e olha pro alto
observando as nuvens
e a peculiaridade de estar vivo
apesar de tudo

08.04.2018

Por: Antonio Lima Júnior

domingo, 22 de abril de 2018

poema entalado

escrevo versos cansados
em papéis desgastados
tudo num só fôlego
às vezes pareço um médium
escrevendo
sem saber o que estou fazendo
apenas pela ânsia
de soltar o peso do peito
o nó na garganta
um poema entalado
antes que algo exploda
dentro de mim
e não sobre pedaço
para escrever este poema

08.03.2018

Por: Antonio Lima Júnior

terça-feira, 10 de abril de 2018

verso dialético

tudo que é sólido
se desmancha no ar
a sede
a angústia
e a vontade
de te amar

06.10.2016

Por: Antonio Lima Júnior

domingo, 1 de abril de 2018

mais um poema urbano e cansado

tem dias
que me acordo
pensando:
"vou morrer
num apartamento
sozinho
e encontrarão
meu corpo
dois dias depois
apodrecendo
com o disco
do Sinatra
tocando my way
repetidas vezes
my way
my way"

saio de casa
meus olhos se contraem
com a luz do sol
minhas pernas tremem
de ansiedade
com os próximos passos

essas coisas
costumam acontecer
nos domingos
quando até os ônibus
demoram demais

10.01.2016

Por: Antonio Lima Júnior

terça-feira, 27 de março de 2018

balzaquiana

Amo uma mulher
balzaquiana
que apresenta
um amor maduro
que não me engana
e traz consigo
aquilo que é puro

a realidade concreta
das dificuldades de amar
sem ilusões perdidas
verdadeiramente correta
que não se desmancha
no ar

em tempos de fluidez
tens a dureza da vida
uma relação marcada
de completa sensatez
como deve ser
a nossa querida
rotina ingrata

27.03.2018

Por: Antonio Lima Júnior